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Casas Bahia fechou 298 lojas? Dados disponíveis não confirmam essa informação
Atualização: novas apurações confirmaram o fechamento de 298 lojas, além de demissões e do pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia.
O fechamento de 298 lojas das Casas Bahia foi confirmado. A medida faz parte de uma ampla reestruturação financeira promovida pelo grupo, que também resultou em demissões e no pedido de recuperação judicial para renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.
- O Grupo Casas Bahia fechou 298 lojas em diferentes regiões do país;
- Cerca de 1.900 trabalhadores foram demitidos inicialmente;
- Outras reportagens apontam que o total de desligamentos pode chegar a 3 mil;
- A empresa protocolou pedido de recuperação judicial em 16 de agosto de 2026;
- O pedido de recuperação não significa o encerramento completo da Casas Bahia.
Casas Bahia realmente fechou 298 lojas
Reportagens publicadas após o início da reestruturação confirmaram que o grupo encerrou 298 unidades, número equivalente a aproximadamente 29% da rede física existente ao final de 2025.
Naquele período, o Grupo Casas Bahia mantinha 1.042 pontos comerciais. A redução representa uma das maiores diminuições de sua estrutura física nos últimos anos, superando os fechamentos realizados gradualmente desde 2023.
O fechamento das unidades foi acompanhado pela demissão de aproximadamente 1.900 funcionários. Algumas apurações apontam que, considerando outras áreas da companhia, o número total de desligamentos pode chegar a 3 mil trabalhadores.
Sindicatos passaram a cobrar esclarecimentos e o pagamento das verbas rescisórias dos funcionários dispensados. Segundo a Folha de S.Paulo , aproximadamente 2 mil trabalhadores foram atingidos diretamente pelo fechamento das lojas.
Empresa enfrenta uma crise financeira
Os fechamentos ocorreram em meio a uma deterioração significativa da situação financeira do grupo. No segundo trimestre de 2026, a companhia registrou prejuízo de aproximadamente R$ 10,1 bilhões e patrimônio líquido negativo estimado em R$ 8,1 bilhões.
Parte considerável desse prejuízo está relacionada a baixas contábeis, como créditos tributários diferidos, ágio registrado em aquisições anteriores e despesas associadas ao encerramento de lojas. Portanto, o prejuízo contábil não representa integralmente uma saída de R$ 10,1 bilhões do caixa.
Isso não significa, entretanto, que o problema financeiro seja apenas contábil. A empresa enfrenta pressão sobre o fluxo de caixa, juros elevados, despesas financeiras, prejuízos recorrentes e dificuldades para administrar seus compromissos com credores, fornecedores e outros parceiros comerciais.
As informações sobre o resultado do segundo trimestre e a situação patrimonial foram divulgadas pela Folha de S.Paulo .
Grupo pediu recuperação judicial
Em 16 de agosto de 2026, o Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial para reorganizar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas. O processo envolve diferentes empresas do conglomerado, incluindo operações relacionadas às marcas Casas Bahia, Pontofrio e Extra.com.br.
A maior parte dos débitos incluídos no processo pertence à categoria de credores sem garantia. Bancos, fabricantes de produtos eletrônicos, proprietários de imóveis, investidores e fornecedores aparecem entre os credores.
A própria companhia disponibilizou uma página dedicada à recuperação judicial em seu site de relações com investidores .
Dívida não é a mesma coisa que dinheiro faltando no caixa
O valor de R$ 17,3 bilhões não representa necessariamente uma quantia que tenha desaparecido do caixa da empresa. Esse número corresponde ao conjunto de obrigações e créditos relacionados no processo de recuperação judicial.
Da mesma forma, o prejuízo de R$ 10,1 bilhões divulgado no segundo trimestre inclui efeitos contábeis que não provocaram uma saída imediata de dinheiro. Mesmo com essa diferença, o pedido judicial demonstra que o grupo enfrenta uma crise financeira e de liquidez grave.
Também não existe relação entre o número de 298 lojas e o prejuízo de R$ 2,98 bilhões registrado em 2025. A hipótese apresentada na versão anterior desta matéria estava incorreta e foi retirada após a confirmação dos fechamentos.
Recuperação judicial não significa falência
O pedido de recuperação judicial não representa automaticamente a falência ou o encerramento completo das Casas Bahia. O procedimento permite que uma empresa em dificuldade apresente um plano para renegociar dívidas, reorganizar pagamentos e tentar preservar suas atividades.
A companhia afirma que as lojas restantes e os canais de comércio eletrônico continuam funcionando. O grupo também declarou que trabalha para manter o abastecimento e cumprir os pedidos feitos pelos consumidores.
A situação, porém, exige cautela. Clientes devem guardar notas fiscais, comprovantes de pagamento, números de pedidos, prazos de entrega e registros de atendimento. A recuperação judicial não elimina os direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor.
Lista completa das lojas ainda não foi divulgada
Apesar da confirmação do número total, ainda não foi apresentada publicamente uma relação oficial completa com todas as 298 lojas atingidas, separadas por município e estado.
No Rio de Janeiro, por exemplo, a rede possuía 90 lojas em maio de 2026, mas não informou quantas unidades fluminenses foram incluídas nos fechamentos, segundo reportagem do jornal O Dia .
Assim, é possível confirmar o fechamento das 298 unidades, mas listas publicadas nas redes sociais devem ser tratadas com cautela quando não apresentarem documentos, comunicados ou fontes verificáveis.
Fontes consultadas
- Grupo Casas Bahia — página da recuperação judicial
- Folha de S.Paulo — lojas fechadas e trabalhadores demitidos
- Folha de S.Paulo — recuperação judicial e credores
- UOL — efeitos da recuperação judicial sobre os títulos da companhia
- O Dia — fechamento de lojas e ausência de uma relação completa por estado
Nota editorial: esta matéria foi corrigida em 19 de agosto de 2026. A versão original afirmava que o fechamento de 298 lojas não estava confirmado e apresentava como hipótese uma confusão com o prejuízo de R$ 2,98 bilhões de 2025. Apurações posteriores confirmaram os 298 fechamentos. O H1 original foi preservado, mas a linha fina, a conclusão da checagem e o restante do conteúdo foram atualizados.
Imagem: fotografia de Junius disponível no Wikimedia Commons , liberada pelo próprio autor para o domínio público.