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Nesta matéria
  1. Existe realmente uma onda de empresas quebrando?
  2. Grandes empresas que enfrentaram cortes ou reestruturações no Brasil
  3. Quais são os principais motivos das crises empresariais?
  4. O fenômeno também atinge grandes empresas estrangeiras
  5. Por que empresas lucrativas também demitem?
  6. Quais setores aparecem mais expostos?
  7. Como identificar se a empresa está apenas se reorganizando ou perto de quebrar?
  8. Perguntas frequentes
  9. Fontes consultadas

Por que grandes empresas estão fechando lojas, cortando empregos ou pedindo recuperação judicial?

Casos registrados em 2025 e 2026 mostram uma combinação de juros elevados, dívidas antigas, mudanças tecnológicas, concorrência externa, erros de gestão e transformação dos hábitos de consumo.

O Brasil registrou em 2025 o maior número de empresas envolvidas em recuperações judiciais da série da Serasa Experian: foram 2.466 CNPJs distribuídos por 977 processos. Em 2026, casos como Casas Bahia, Estrela e Raízen ampliaram a preocupação, enquanto empresas lucrativas, como Bradesco e Grupo Mateus, também fecharam unidades e reduziram seus quadros para cortar custos e adaptar as operações.

Principais informações:
  • Recuperação judicial não significa necessariamente falência, mas revela dificuldade para pagar dívidas nas condições originais.
  • Juros altos, crédito restrito, endividamento, concorrência digital e custos operacionais aparecem entre os principais motivos.
  • Empresas com lucro também demitem quando automatizam atividades, eliminam estruturas duplicadas ou abandonam unidades pouco rentáveis.

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Edifícios empresariais observados na Avenida Paulista, em São Paulo
A Avenida Paulista concentra sedes, escritórios e atividades financeiras em São Paulo. A fotografia é ilustrativa e não representa uma empresa específica citada na reportagem. Foto: Rodrigo Tetsuo Argenton, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

Existe realmente uma onda de empresas quebrando?

Existe um aumento relevante das recuperações judiciais, mas é incorreto tratar todo fechamento de loja, redução de funcionários ou pedido de proteção judicial como falência.

Segundo a Serasa Experian, o Brasil teve 977 processos de recuperação judicial em 2025, envolvendo 2.466 CNPJs. O número de empresas envolvidas cresceu 13% em comparação com 2024 e atingiu o maior patamar da série usada pela instituição.

Outro levantamento, produzido pelo Monitor RGF, apontou que 5.680 empresas estavam em recuperação judicial no final de 2025. Esse número representa o estoque de companhias que continuavam submetidas a processos, e não a quantidade de falências decretadas durante o ano.

Portanto, publicações que afirmam que “5.680 empresas faliram em 2025” misturam conceitos diferentes. Uma companhia pode entrar em recuperação, renegociar suas dívidas e posteriormente voltar a operar sem supervisão judicial.

Diferença entre os principais tipos de crise empresarial
Situação O que significa
Fechamento de unidade A empresa encerra uma loja, agência ou fábrica, mas pode continuar funcionando normalmente em outros locais.
Redução do quadro O número de empregados diminui por demissões, aposentadorias, desligamentos voluntários ou vagas que deixam de ser preenchidas.
Recuperação extrajudicial A companhia negocia parte das dívidas diretamente com credores e busca a homologação do acordo pela Justiça.
Recuperação judicial A empresa tenta reorganizar suas dívidas sob supervisão judicial para evitar a falência e manter as atividades.
Falência A Justiça reconhece que a empresa não consegue continuar normalmente e inicia a liquidação organizada de seus bens e obrigações.

Grandes empresas que enfrentaram cortes ou reestruturações no Brasil

Casos de destaque verificados em 2025 e 2026
Empresa Situação Principais motivos identificados
Bombril Recuperação judicial aceita em fevereiro de 2025, com dívida informada de aproximadamente R$ 2,3 bilhões. Passivos tributários, contingências antigas, endividamento e dificuldade para equilibrar o caixa.
Azul Entrou no Chapter 11 nos Estados Unidos em maio de 2025 e concluiu a reestruturação em fevereiro de 2026. Dívidas, contratos de arrendamento de aeronaves, efeitos acumulados da pandemia, dólar e custos operacionais.
Voepass Teve os voos suspensos em março de 2025 e o certificado de operador aéreo cassado pela Anac em junho. Falhas de manutenção e controles de segurança identificadas pela agência, além da deterioração financeira.
Oi Teve a falência decretada em novembro de 2025, mas a decisão foi suspensa. Em 20 de agosto de 2026, permanecia em recuperação judicial, aguardando novo julgamento. Endividamento persistente, perda de escala, venda de ativos e duas tentativas de recuperação sem solução definitiva.
Unigel Entrou em recuperação judicial em outubro de 2025, declarando aproximadamente R$ 5,47 bilhões em dívidas sujeitas ao processo. Queda internacional dos preços dos fertilizantes, gás natural caro e insucesso da reestruturação extrajudicial anterior.
Raízen Paralisou a Usina Santa Elisa em 2025 e teve seu plano de recuperação extrajudicial homologado em julho de 2026. Endividamento elevado, prejuízos, condições climáticas, produtividade agrícola e necessidade de vender ativos para reforçar o caixa.
Estrela Fabricante de brinquedos pediu recuperação judicial em maio de 2026. Prejuízos recorrentes, patrimônio líquido negativo, juros elevados e transformação do mercado de brinquedos.
Grupo Mateus Fechou 28 lojas e reduziu o quadro em 6.673 pessoas entre o final de 2025 e o primeiro trimestre de 2026. Integração com o Novo Atacarejo, eliminação de estruturas duplicadas e busca de maior rentabilidade. O grupo permaneceu lucrativo.
Bradesco Fechou 324 agências e reduziu o quadro em 2.448 funcionários entre junho de 2025 e junho de 2026. Migração para canais digitais, menor movimento presencial e redução dos custos da rede física. O banco permaneceu lucrativo.
Casas Bahia Pediu recuperação judicial em agosto de 2026, fechou 298 lojas e iniciou uma redução de pessoal posteriormente suspensa por liminar trabalhista. Dívida de aproximadamente R$ 17,3 bilhões, juros elevados, inadimplência, restrição de crédito e investimentos que pressionaram o caixa.

A lista não representa todas as empresas em dificuldade no país. Ela reúne casos conhecidos que ajudam a identificar padrões diferentes: algumas companhias efetivamente ficaram sem recursos para pagar seus compromissos, enquanto outras apenas reduziram operações consideradas caras ou pouco produtivas.

Quais são os principais motivos das crises empresariais?

1. Juros elevados e dificuldade para renovar dívidas

Empresas grandes raramente financiam toda a expansão com recursos próprios. Elas recorrem a bancos, emissão de títulos, antecipação de recebíveis e outras formas de crédito.

Quando os juros aumentam, uma dívida que parecia administrável passa a consumir uma parte maior do caixa. A situação fica especialmente perigosa quando a companhia precisa obter um novo empréstimo para pagar outro que está vencendo.

Em agosto de 2026, a taxa Selic estava em 14% ao ano. Esse patamar elevava o custo do crédito e diminuía a disponibilidade de dinheiro para empresas com balanços frágeis. Casas Bahia, Estrela e diferentes negócios do agronegócio citaram esse ambiente entre as pressões enfrentadas.

2. Crescimento excessivo financiado por dívida

A abertura acelerada de lojas, a compra de concorrentes e a construção de fábricas podem aumentar o faturamento, mas também criam despesas fixas com aluguéis, salários, estoques e juros.

Se as vendas não crescem no ritmo previsto, a companhia fica com uma estrutura maior do que consegue sustentar. Nessa situação, fechar unidades não é necessariamente consequência de queda imediata nas vendas; pode ser a correção tardia de uma expansão mal dimensionada.

O problema aparece com frequência depois de aquisições. A empresa compra outra companhia esperando ganhos de escala, mas encontra sistemas incompatíveis, operações duplicadas, dívidas e despesas de integração superiores às estimadas.

3. Mudança do consumidor para canais digitais

Bancos e varejistas tradicionais mantêm milhares de imóveis, caixas, gerentes, estoques e equipes de apoio. Aplicativos e lojas virtuais conseguem realizar parte dessas operações com uma estrutura física menor.

O Bradesco afirma que aproximadamente 98% das transações já são feitas por canais digitais. Isso ajuda a explicar o fechamento de agências mesmo em um período de crescimento dos lucros.

No varejo, a concorrência de marketplaces também reduziu margens. Lojas físicas enfrentam despesas com aluguel, energia, segurança e estoque local, enquanto grandes plataformas conseguem concentrar produtos em centros de distribuição e comparar preços em tempo real.

4. Queda do consumo e aumento da inadimplência

Quando as famílias estão endividadas ou inseguras em relação à renda, costumam adiar compras de móveis, eletrodomésticos, brinquedos e outros produtos não essenciais.

O impacto é maior em empresas que vendem a prazo. Além da redução do movimento, essas companhias podem sofrer com clientes que deixam de pagar prestações. Assim, a empresa vende menos, recebe com atraso e ainda precisa financiar o próprio estoque.

5. Custos de matérias-primas, dólar e combustíveis

Indústrias e companhias aéreas são particularmente expostas a custos que não controlam. A Azul, por exemplo, recebe grande parte da receita em reais, mas paga aeronaves, manutenção, seguros e parte do combustível em valores ligados ao dólar.

A Unigel foi pressionada pelo custo do gás natural, usado como insumo na produção de fertilizantes, enquanto os preços internacionais de seus produtos caíram. Quando a matéria-prima sobe e o produto final perde valor, a margem pode desaparecer rapidamente.

6. Concorrência internacional e excesso de capacidade

A indústria brasileira também enfrenta produtos importados. Em 2025, a Gerdau informou ter reduzido aproximadamente 1.500 postos de trabalho e revisto investimentos diante do aumento das importações de aço, especialmente da China.

A companhia argumentou que o aço estrangeiro chegava ao país em condições que dificultavam a competição da produção nacional. O efeito desse movimento não se limita à siderúrgica: fornecedores, transportadoras e cidades industriais também podem perder renda.

7. Problemas de gestão, controles e governança

Condições econômicas adversas não explicam todos os casos. Fraudes, informações contábeis incorretas, investimentos ruins, conflitos entre acionistas e decisões tomadas sem controle adequado podem destruir empresas que atuam em mercados ainda lucrativos.

Quando o problema demora a ser descoberto, a dívida real pode ser muito superior à divulgada anteriormente. Fornecedores suspendem entregas, bancos restringem crédito e clientes passam a desconfiar da continuidade da operação.

8. Automação e inteligência artificial

Parte das demissões em tecnologia, bancos, atendimento e áreas administrativas está relacionada à automação. A inteligência artificial não é a única responsável pelos cortes, mas permite que empresas reorganizem tarefas, reduzam níveis de chefia e operem com equipes menores.

O Fórum Econômico Mundial informou que 41% dos empregadores consultados planejavam reduzir pessoal em funções expostas à automação por inteligência artificial. Ao mesmo tempo, 77% pretendiam investir em capacitação e 70% esperavam contratar profissionais com novas competências.

Isso significa que a tecnologia elimina determinadas funções, mas também cria outras. O principal risco está na velocidade da transição: os novos postos nem sempre aparecem na mesma cidade, exigem habilidades diferentes ou oferecem remuneração equivalente à dos empregos eliminados.

O fenômeno também atinge grandes empresas estrangeiras

Exemplos internacionais registrados em 2025 e 2026
Empresa Medida anunciada Contexto
Nissan Plano para reduzir 20 mil postos e diminuir o número de fábricas de 17 para 10 até o ano fiscal de 2027. Queda de competitividade, custos elevados, vendas fracas e necessidade de simplificar a produção mundial.
Intel Redução de aproximadamente 15% da força de trabalho principal em 2025 e cancelamento de projetos na Alemanha e Polônia. Busca de eficiência, atraso competitivo em determinados segmentos de chips e necessidade de concentrar investimentos.
UPS Redução de aproximadamente 48 mil posições operacionais, incluindo 15 mil vagas sazonais, e encerramento de operações diárias em 93 prédios durante 2025. Queda de volume do maior cliente, reorganização da rede logística e automação.
Joann Liquidação e fechamento de aproximadamente 800 lojas nos Estados Unidos em 2025. Segunda recuperação em menos de um ano, dívida, falta de estoque, queda das vendas e ausência de comprador disposto a manter as lojas.
Rite Aid Fechamento de todas as lojas restantes em 2025 depois do segundo pedido de recuperação em dois anos. Dívida elevada, processos ligados à crise dos opioides e concorrência de outras farmácias, supermercados e comércio eletrônico.
Saks Global Pedido de Chapter 11 em janeiro de 2026 e fechamento de parte das lojas da Saks Fifth Avenue. Endividamento após a compra da Neiman Marcus, despesas financeiras, queda do consumo de luxo e problemas com fornecedores.

Por que empresas lucrativas também demitem?

Lucro não impede uma companhia de fechar unidades ou reduzir funcionários. O resultado contábil mostra o desempenho de um período, mas a administração também toma decisões com base no retorno esperado para os anos seguintes.

Uma empresa pode estar lucrativa no conjunto e, ao mesmo tempo, manter dezenas de lojas deficitárias. Também pode eliminar atividades manuais depois de investir em tecnologia ou encerrar departamentos duplicados após uma fusão.

Bradesco e Grupo Mateus são exemplos importantes. Os dois permaneceram lucrativos, mas reduziram estruturas para aumentar a produtividade. Isso é diferente de uma empresa que não possui dinheiro para pagar fornecedores ou precisa pedir proteção contra credores.

Do ponto de vista do trabalhador e da cidade afetada, porém, a consequência imediata pode ser semelhante: perda de empregos, redução do movimento comercial e menor arrecadação local.

Quais setores aparecem mais expostos?

  • Varejo: sofre com juros, inadimplência, aluguéis, estoques e concorrência dos marketplaces.
  • Agronegócio: depende do clima, dos preços internacionais, do câmbio e de financiamentos de safra.
  • Aviação: possui custos elevados com combustível, dólar, manutenção e arrendamento de aeronaves.
  • Indústria pesada: exige investimentos elevados e enfrenta variações de energia, matérias-primas e importações.
  • Tecnologia: passa por automação, inteligência artificial e rápida substituição de produtos e competências.
  • Bancos: reduzem agências e funções operacionais conforme os clientes migram para aplicativos.
  • Telecomunicações: exige investimento constante em infraestrutura e sofre com mudanças tecnológicas e forte competição.

Como identificar se a empresa está apenas se reorganizando ou perto de quebrar?

O fechamento de algumas unidades, isoladamente, não permite concluir que uma empresa está falindo. Para avaliar a gravidade, é necessário observar um conjunto de sinais:

  • atrasos recorrentes no pagamento de salários ou fornecedores;
  • dificuldade para renovar empréstimos e títulos que estão vencendo;
  • prejuízos acumulados durante vários trimestres;
  • patrimônio líquido negativo;
  • venda urgente de ativos necessários à operação;
  • auditorias que apontem dúvida relevante sobre a continuidade da empresa;
  • pedido de tutela para suspender cobranças;
  • recuperação extrajudicial ou judicial;
  • queda persistente do caixa disponível;
  • interrupção de entregas, serviços ou produção.

Os documentos mais confiáveis são os fatos relevantes enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), balanços auditados, decisões judiciais, comunicados de órgãos reguladores e informações divulgadas pelas próprias companhias. Publicações em redes sociais frequentemente confundem redução do quadro com demissão em massa e recuperação judicial com falência.

Perguntas frequentes

O Brasil teve 5.680 falências em 2025?

Não. O número de 5.680 corresponde a empresas que estavam em recuperação judicial no final de 2025 segundo o Monitor RGF. Não representa falências decretadas durante o ano.

Recuperação judicial significa que a empresa vai fechar?

Não necessariamente. A recuperação existe justamente para tentar evitar a falência. Algumas empresas conseguem renegociar as dívidas e continuar funcionando; outras não recuperam a viabilidade.

Por que os juros afetam tanto empresas grandes?

Grandes empresas geralmente mantêm empréstimos, títulos e contratos financeiros de valores elevados. Quando os juros sobem, renovar essas dívidas fica mais caro e consome parte maior do caixa.

A inteligência artificial é a principal causa das demissões?

Não em todos os setores. A IA é importante em tecnologia, bancos e atividades administrativas, mas muitas reduções também decorrem de dívidas, queda do consumo, fusões, importações e fechamento de unidades deficitárias.

Uma empresa com lucro pode estar em risco?

Sim. O lucro de um trimestre não elimina dívidas elevadas, falta de caixa ou vencimentos próximos. Por outro lado, uma empresa lucrativa pode demitir apenas para elevar sua eficiência, sem risco imediato de falência.

Casas Bahia, Bradesco e Grupo Mateus estão na mesma situação?

Não. As Casas Bahia pediram recuperação judicial. Bradesco e Grupo Mateus permaneceram lucrativos e reduziram unidades e funcionários como parte de estratégias operacionais.

Fontes consultadas

Este panorama foi verificado em 20 de agosto de 2026 e não pretende listar todas as empresas que encerraram unidades ou buscaram proteção judicial. Os casos foram classificados conforme a situação conhecida na data da apuração. Decisões judiciais, planos de recuperação, número de empregados e continuidade das operações podem mudar.

Nota sobre a imagem: a fotografia da Avenida Paulista é ilustrativa e representa o ambiente empresarial brasileiro. Ela não mostra o fechamento de uma empresa nem possui relação direta com qualquer companhia citada.

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