Estágio de foguete da SpaceX deve atingir a Lua em agosto
Parte descartada de um Falcon 9 viaja sem controle desde janeiro de 2025 e deve colidir perto da cratera Einstein; impacto não oferece risco à Terra.
Um estágio superior usado do foguete Falcon 9, da SpaceX, deve atingir a superfície da Lua em . A colisão está prevista para aproximadamente 3h35 no horário de Brasília, em uma região próxima à cratera Einstein, na borda do disco lunar observado da Terra.
- O objeto não é um foguete completo, mas o segundo estágio descartado de um Falcon 9.
- A colisão deve ocorrer a cerca de 8,7 mil km/h e poderá produzir uma nova cratera.
- Não há risco para a Terra, astronautas ou populações; a visibilidade do impacto ainda é incerta.
Um foguete da SpaceX realmente vai cair na Lua?
Sim, mas a expressão “foguete da SpaceX” precisa ser explicada. O objeto que deverá colidir com a Lua é apenas o estágio superior descartado de um Falcon 9, e não um veículo completo ou uma nave ocupada por astronautas.
O equipamento possui a identificação de catálogo 2025-010D. Ele foi utilizado para impulsionar duas sondas lunares para além de uma órbita baixa ao redor da Terra e permaneceu no espaço depois de cumprir sua função.
Desde então, o estágio percorre uma órbita extensa e instável influenciada principalmente pela gravidade da Terra, da Lua e do Sol. Cálculos realizados a partir de observações telescópicas indicam que sua trajetória terminará com um impacto lunar.
Não se trata de uma missão planejada pela SpaceX para bombardear a Lua. A colisão é uma consequência não controlada da trajetória assumida pelo estágio depois do lançamento.
Quando acontecerá o impacto?
A previsão mais recente do astrônomo e desenvolvedor Bill Gray aponta o impacto para . No horário de Brasília, isso corresponde a aproximadamente 3h34.
| Data | 5 de agosto de 2026 |
|---|---|
| Horário aproximado em Brasília | 3h35 |
| Objeto | Segundo estágio do Falcon 9, identificação 2025-010D |
| Massa estimada | Cerca de 4,9 toneladas |
| Velocidade estimada | 2,43 km/s, aproximadamente 8,7 mil km/h |
| Região prevista | Próxima à cratera Einstein |
O horário e o ponto exato ainda podem sofrer pequenos ajustes. A pressão exercida pela luz solar sobre o objeto é muito fraca, mas produz alterações acumuladas durante meses.
Como o estágio está girando, diferentes partes de sua superfície refletem e recebem a luz de maneiras distintas. Isso dificulta uma previsão absolutamente exata com muita antecedência.
De qual missão veio o estágio do Falcon 9?
O Falcon 9 foi lançado em , a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O voo transportou duas missões lunares comerciais.
A primeira era a Blue Ghost Mission 1, da empresa norte-americana Firefly Aerospace. O módulo carregava dez instrumentos científicos e tecnológicos da NASA e realizou um pouso bem-sucedido na Lua em março de 2025.
A segunda era a Hakuto-R Mission 2, também chamada de Resilience, desenvolvida pela empresa japonesa ispace. A sonda seguiu uma trajetória de baixo consumo de combustível, mas perdeu comunicação durante a tentativa de pouso em junho de 2025.
Depois de liberar as duas sondas e a estrutura que as mantinha conectadas, o estágio superior do Falcon 9 permaneceu viajando pelo espaço entre a Terra e a Lua.
Linha do tempo do estágio que atingirá a Lua
- 15 de janeiro de 2025: o Falcon 9 decola levando Blue Ghost e Hakuto-R.
- Março de 2025: a Blue Ghost realiza um pouso bem-sucedido na Lua.
- Junho de 2025: a Hakuto-R perde comunicação durante sua tentativa de pouso.
- Setembro de 2025: cálculos orbitais começam a indicar uma colisão do estágio com a Lua.
- Julho de 2026: pesquisadores publicam um plano internacional de observação do impacto.
- 5 de agosto de 2026: o estágio deverá atingir a superfície lunar.
Onde o foguete deverá atingir a Lua?
A área calculada fica perto da cratera Einstein, uma formação com aproximadamente 181 quilômetros de diâmetro localizada próxima à borda da face lunar visível da Terra.
O ponto projetado está em uma área iluminada pelo Sol e bastante marcada por antigas crateras. Por estar muito próximo ao limbo lunar — a borda aparente da Lua —, o local é difícil de observar detalhadamente a partir da superfície terrestre.
A colisão será visível da Terra?
Ainda não existe uma resposta definitiva. Uma pré-publicação científica assinada por pesquisadores de diferentes instituições afirma que o clarão e a nuvem de material expelido são potencialmente observáveis por telescópios terrestres e espaciais.
Isso não significa que o fenômeno poderá ser visto a olho nu. A expectativa é de um evento muito breve e pouco luminoso, situado perto da borda da Lua.
Bill Gray considera improvável a observação direta do clarão, porque a velocidade do estágio é relativamente baixa quando comparada à de meteoros que atingem naturalmente a Lua.
Existe uma possibilidade de que a poeira e as rochas lançadas acima da superfície apareçam contra o fundo escuro do espaço. Mesmo assim, a separação visual será muito pequena e exigirá equipamentos adequados.
Observatórios profissionais, astrônomos amadores e sondas em órbita lunar poderão tentar registrar o momento. Um resultado negativo também fornecerá dados úteis para prever a luminosidade de impactos futuros.
Qual será a força do impacto?
O estágio deverá atingir a Lua a aproximadamente 2,43 quilômetros por segundo, equivalentes a cerca de 8,7 mil quilômetros por hora.
Considerando uma massa estimada em 4,9 toneladas, a colisão liberaria aproximadamente 14,5 bilhões de joules. A energia corresponde a cerca de três toneladas de TNT.
A maior parte dessa energia não se transformará em luz. Ela deverá ser empregada na fragmentação do estágio, na deformação da superfície e no lançamento de poeira e pedras.
Bill Gray estima que a colisão poderá formar uma cratera com cerca de 17 metros de diâmetro. Esse número é apenas uma projeção e dependerá do ângulo de entrada, da orientação do estágio e das características do solo lunar.
O impacto oferece algum perigo?
A colisão não oferece risco para a Terra. O estágio está seguindo para a Lua e não deverá retornar à atmosfera terrestre.
Também não existe risco de a colisão alterar a órbita, a rotação ou a estabilidade da Lua. A massa do equipamento é insignificante quando comparada ao tamanho do satélite natural.
Impactos naturais muito mais energéticos acontecem regularmente na superfície lunar. A ausência de uma atmosfera densa permite que meteoros e outros objetos atinjam diretamente o solo.
O evento, porém, chama atenção para a presença crescente de lixo espacial nas órbitas localizadas entre a Terra e a Lua. Com o aumento das missões comerciais, científicas e tripuladas, pesquisadores defendem maior planejamento para o descarte dos estágios utilizados.
O impacto pode ser útil para a ciência?
Embora não tenha sido planejado como experimento, o impacto oferece uma oportunidade de observação científica. Os pesquisadores poderão comparar as previsões com o clarão, a nuvem de detritos e a cratera realmente produzidos.
As observações podem ajudar no desenvolvimento de métodos para localizar colisões, estimar a quantidade de material lançado e interpretar futuros registros de sismômetros instalados na Lua.
Depois do evento, a câmera da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter poderá procurar a nova cratera. Para isso, será necessário determinar o ponto do impacto com a maior precisão possível.
O caso também poderá contribuir para estudos sobre os riscos representados por detritos artificiais a equipamentos que futuramente serão instalados na superfície lunar.
Isso já aconteceu antes?
Sim. Diversos estágios e sondas foram deliberadamente direcionados contra a Lua durante as primeiras décadas da exploração espacial. Os impactos ajudaram os cientistas a estudar a estrutura lunar com os sismômetros deixados pelas missões Apollo.
Em 2009, a NASA lançou a missão LCROSS contra uma cratera próxima ao polo sul para procurar gelo de água. A nuvem produzida foi analisada por instrumentos científicos.
Em março de 2022, outro estágio de foguete atingiu o lado oculto da Lua. Inicialmente, o objeto havia sido identificado como parte de um Falcon 9 da SpaceX, mas análises posteriores apontaram que era provavelmente um estágio chinês associado à missão Chang’e 5-T1.
O caso de agosto de 2026 é diferente: o objeto foi identificado como o estágio superior do lançamento do Falcon 9 que transportou as missões Blue Ghost e Hakuto-R em janeiro de 2025.
Perguntas frequentes
Um foguete da SpaceX vai cair na Lua?
Um estágio superior descartado do Falcon 9 deve atingir a Lua em 5 de agosto de 2026. Não é um foguete completo nem uma nave tripulada.
Que horas acontecerá a colisão?
A previsão atual indica aproximadamente 6h35 UTC, o equivalente a cerca de 3h35 no horário de Brasília.
Onde o estágio atingirá a Lua?
O impacto está previsto para uma região próxima à cratera Einstein, perto da borda da face lunar observada da Terra.
Será possível ver o impacto?
A observação a olho nu não é esperada. Telescópios poderão tentar registrar um breve clarão ou uma nuvem de material, mas a visibilidade continua incerta.
A colisão representa risco para a Terra?
Não. O objeto está em trajetória de colisão com a Lua e não oferece ameaça à população terrestre.
O impacto pode destruir ou alterar a Lua?
Não. A massa do estágio é minúscula em comparação à Lua. O efeito esperado é apenas uma pequena cratera na superfície.
Por que o estágio não foi recolhido?
O segundo estágio foi usado para colocar as sondas em uma trajetória lunar e não possui capacidade para pousar ou retornar de forma controlada depois dessa missão.
A SpaceX planejou a colisão?
Não há indicação de que a colisão tenha sido planejada como experimento. Ela resulta da evolução orbital do estágio descartado.
Fontes consultadas
- arXiv — Plano de observação do impacto do estágio do Falcon 9
- Project Pluto — Cálculos orbitais, horário, velocidade e ponto estimado
- NASA — Lançamento da Blue Ghost em um Falcon 9
- Firefly Aerospace — Lançamento da Blue Ghost Mission 1
- ispace — Separação da sonda Resilience do Falcon 9
- UOL Tilt — Repercussão da previsão de impacto
- Wikimedia Commons — Fotografia do lançamento do Falcon 9
- Wikimedia Commons — Imagem da cratera Einstein
A previsão depende de cálculos orbitais e poderá sofrer pequenos ajustes antes de 5 de agosto. O estudo sobre a observação do evento foi divulgado como pré-publicação científica e ainda poderá receber revisões.
Nota sobre as imagens: as duas fotografias utilizadas têm origem em trabalhos produzidos pela NASA e estão indicadas como domínio público nos Estados Unidos. A imagem da cratera Einstein é ilustrativa e não mostra o ponto exato da futura colisão.